Os quilombos na diáspora e o papel da Arqueologia: lutas históricas e desafios, uma escrita na primeira pessoa.

Autores

DOI:

https://doi.org/10.24885/sab.v37i2.1150

Palavras-chave:

quilombo, autoarqueologia, diáspora

Resumo

A existência dos remanescentes de quilombo é atravessada por questões de raça e racismo, e vulnerabilidades sociais, culturais, históricas e, com isso, posso trazer minha história pessoal enquanto quilombola, na qual perceberão muito dos discursos registrados durante minhas pesquisas de campo em quilombos pela América. Considero que o papel social de qualquer ciência e organização deveria ser a promoção de reflexões que visem proporcionar mudanças sociais, políticas econômicas e comportamentais, e não é diferente com a arqueologia. Estamos longe de uma arqueologia afro centrada, porém muito mais perto do que antes. Acredito que a arqueologia pública traz nas suas premissas esse “recado”, também chamada por Engmann 2019 e Moraes 2021 de autoarqueologia; conceito que, quando aplicado, auxilia na compreensão dos processos de pesquisas arqueológica e sobretudo no reconhecimento e exercício do papel social da arqueologia. Assim, nesse artigo trago reflexões construídas a partir de minhas existências enquanto preta quilombola, enquanto pesquisadora arqueóloga, me fazendo valer dessa perspectiva perpassando pelas lutas e estratégias que vivencio na academia e fora dela. Tendo como base epistemológicas pesquisadores que se ocupam em compreender o papel social das ciências humanas, dentre elas a arqueologia, a exemplo de Moraes, Munanga Abdias, Lelia Gonzales, Milton Santos e tantos outros.

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Biografia do Autor

Rosinalda Corrêa da Silva Simoni, Universidade Estadual de São Paulo

Quilombola, doutora em Ciências da Religião, mestre em Arqueologia e graduada em história. Atualmente é professora (convidada na Universidade Federal do Tocantins (UFT), pesquisadora bolsista do PDPG-Pós-Doutorado Estratégico na Pontifícia Universidade Católica Goiás (PUC Goiás), e doutoranda em História na Universidade Estadual de São Paulo “Júlio de Mesquita Filho” (PPGH-Unesp). É diretora fundadora da Tekoha Pesquisas, co-fundadora da RELFET, Rede Latino-Americana e Caribenha de Pesquisadores sobre Feminismos de Terreiros, militante dos movimentos de mulheres negras, de quilombolas e de religiões de matriz africana, integrante da NEGRARQUEO, ABPN e outros grupos de pesquisas. Parte das reflexões abordadas nesse artigo foram desenvolvidas no âmbito da Fundação Aroeira e da Tekohá Pesquisas Patrimoniais.

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Publicado

2024-05-15

Como Citar

CORRÊA DA SILVA SIMONI, Rosinalda. Os quilombos na diáspora e o papel da Arqueologia: lutas históricas e desafios, uma escrita na primeira pessoa. Revista de Arqueologia, [S. l.], v. 37, n. 2, p. 30–43, 2024. DOI: 10.24885/sab.v37i2.1150. Disponível em: https://revista.sabnet.org/ojs/index.php/sab/article/view/1150. Acesso em: 24 jun. 2024.