Caracterizar o quilombo como instituição africana: princípios para arqueologia brasileira a partir de Beatriz Nascimento

Autores

DOI:

https://doi.org/10.24885/sab.v37i1.1157

Palavras-chave:

Beatriz Nascimento, Quilombos, Arqueologia histórica, Diáspora africana

Resumo

A partir do estudo sobre quilombos de Beatriz Nascimento, busco evidenciar as possibilidades de uso da perspectiva que a autora fundamentou na arqueologia realizada no Brasil. Levantando trabalhos que pautaram a diáspora africana pela arqueologia, bem como as discussões sobre os princípios que tentam compreender a forma com que as culturas de África germinaram no continente africano, busco transcender as noções sobre a experiência quilombola e suas origens históricas para além da realidade escravista, correlacionando entre imbangalas do século XVII e outras organizações sócio-políticas da África centro-ocidental o foco de desenvolvimento dessa pluralidade política. É investigando essas variadas formas de existência da experiência quilombola, à luz de Beatriz Nascimento, que utilizo o quilombo como exemplo para mostrar a necessidade de se localizar a arqueologia da diáspora africana uma vertente de uma arqueologia da África.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Referências

AGOSTINI, Camilla. Cultura material e a experiência africana no sudeste oitocentista: cachimbos de escravos em imagens, histórias, estilos e listagens. Topoi (Rio de Janeiro), v. 10, p. 39-47, 2009.

AGOSTINI, Camilla (Ed.). Objetos da escravidão: abordagens sobre a cultura material da escravidão e seu legado. Editora 7Letras (Viveiros de Castro Editora LTDA-ME), 2016.

ALLEN, Scott Joseph. Identidades em jogo: negros, índios e a arqueologia da Serra da Barriga. Índios do Nordeste: temas e problemas, v. 2, p. 245-76, 2000.

ALLEN, Scott Joseph. Afrofatos. Vestígios-Revista Latino-Americana de Arqueologia Histórica, v. 10, n. 1, p. 93-105, 2016.

BATSÎKAMA, Patrício; BATSÎKAMA, Raphael. Estruturas e instituições do Kongo. REVISTA DE HISTÓRIA COMPARADA, Rio de Janeiro, 5-1: 6-41, 2011.

BATSÎKAMA, Patrício. O poder político entre os Mbûndu. Sankofa (São Paulo), v. 9, n. 16, p. 96-134, 2016.

BRASIL. Lei Nº 10639, 9 de janeiro de 2003. Altera a Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, para incluir no currículo oficial da Rede de Ensino a obrigatoriedade da temática "História e Cultura Afro-Brasileira", e dá outras providências

BRASIL. Lei 11.645, 10 de março de 2008. Altera a Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996, modificada pela Lei no 10.639, de 9 de janeiro de 2003, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, para incluir no currículo oficial da rede de ensino a obrigatoriedade da temática “História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena”.

BRASIL. Lei 12.711, de 29 de agosto de 2012. Dispõe sobre o ingresso nas universidades federais e nas instituições federais de ensino técnico de nível médio e dá outras providências.

CARVALHO, Patrícia Marinho. Vila Bela e seus quilombos: etnoarqueologia aplicada aos estudos da diáspora africana. Anais do XXVI Simpósio Nacional de História – ANPUH. São Paulo, julho 2011

CARVALHO, Patrícia Marinho de. A travessia atlântica de árvores sagradas: estudos de paisagem e arqueologia em área de remanescente de quilombo em Vila Bela/MT. 2012. Tese de Doutorado. Universidade de São Paulo.

CARVALHO, Patrícia Marinho; DE MATOS SOARES, Alice. “Todo poder ao povo preto”: diálogos sobre práticas colaborativas entre seres em lugares e tempos afrodiaspóricos. Revista do Museu de Arqueologia e Etnologia, n. 37, p. 164-177, 2021.

CARNEIRO, Edison. O quilombo dos Palmares. Brasiliana, 1958.

DE ALENCASTRO, Luiz Felipe. África, números do tráfico atlântico. Lilia Moritz. Schwarcz e Flávio dos Santos Gomes (orgs.), Dicionário da Escravidão e Liberdade (São Paulo: Companhia das Letras, 2018), p. 61, 2018.

DU BOIS, Willian Eduard Burghardt. As almas do povo negro. Veneta, 2021.

FANON, Frantz. Os Condenados da Terra (Trad. José Laurênio de Melo). Rio de Janeiro, RJ: Editora Civilização Brasileira SA, 1968.

FERREIRA, Lucio Menezes. Sobre o conceito de arqueologia da diáspora africana. MÉTIS: história & cultura, v. 8, n. 16, p. 267-275, 2009.

FLORENTINO, Manolo; RIBEIRO, Alexandre Vieira; DA SILVA, Daniel Domingues. Aspectos comparativos do tráfico de africanos para o Brasil (séculos XVIII e XIX). Afro-Ásia, n. 31, 2004.

FLORENTINO, Manolo; AMANTINO, Márcia. Uma morfologia dos quilombos nas Américas, séculos XVI-XIX. História, Ciências, Saúde-Manguinhos, v. 19, p. 259-297, 2012.

FONSECA, Mariana Bracks. Nzinga Mbandi e as guerras de resistência em Angola. Século XVII. 2015. Tese de Doutorado. Universidade de São Paulo.

FREITAS, Décio. O quilombo dos Palmares. Porto Alegre, Fundo Editorial, 1994.

FUNARI, Pedro Paulo. Contribuição da arqueologia para a interpretação do quilombo dos Palmares. Fronteiras: Revista de História, v. 3, n. 6, p. 79-90, 1999.

FU-KIAU, Kimbwandende Kia Bunseki. African cosmology of the Bantu-Kongo: Principles of life & living. African Tree press, 2001.

GONZALEZ, Lélia; HASENBALG, Carlos Alfredo. Lugar de negro. Editora Marco Zero, 1982.

GERBER, Raquel. Ori: cabeça e consciência negra. NASCIMENTO, Beatriz (Texto e narração). MOREIRA, Renato Neiva (Edição). PENNA, Hermano (Fotografia). NASCIMENTO, Beatriz (Elenco). Brasil: Estelar Produções Cinematográficas e Culturais Ltda. Rio de Janeiro, 1989, vídeo (131 min), colorido.

GILROY, Paul. O Atlântico negro: modernidade e dupla consciência. Editora 34, 2001.

GUIMARÃES, Carlos Magno. Os quilombos do século do ouro. Revista do Departamento de História, v. 6, p. 15-45, 1988.

HARTEMANN, Gabby; DE MORAES, Irislane Pereira. Contar histórias e caminhar com ancestrais: por perspectivas afrocentradas e decoloniais na arqueologia. Vestígios-Revista Latino-Americana de Arqueologia Histórica, v. 12, n. 2, p. 9-34, 2018.

HARTEMANN, Gabby Omoni. Escavando a Violência Colonial: Arqueologia Griótica e Engajamento Comunitário na Guiana. Cadernos do LEPAARQ (UFPEL), v. 19, n. 37, p. 142-191, 2022.

LIMA, Tania Andrade. Os marcos teóricos da arqueologia histórica, suas possibilidades e limites. Estudos Ibero-Americanos, v. 28, n. 2, p. 7-23, 2002.

LIMA, Tania Andrade. Arqueologia como ação sociopolítica: o caso do Cais do Valongo, Rio de Janeiro, século XIX. Vestígios-Revista Latino-americana de arqueologia histórica, v. 7, n. 1, p. 179-207, 2013.

LIRYO, Andersen et al. Dentes intencionalmente modificados e etnicidade em cemitérios do Brasil Colônia e Império. Revista do Museu de Arqueologia e Etnologia, n. 21, p. 315-334, 2011.

MARANCA, Silvia. A arqueologia brasileira e o programa nacional de pesquisas arqueológicas (PRONAPA) dos anos 60. Arqueologia, v. 19, n. 1, p. 115, 2007.

MARCUSSI, Alexandre Almeida. Ambiguidades do conceito de crioulização entre a teoria e a empiria. SIMPÓSIO NACIONAL DE HISTÓRIA, v. 25, 2009.

MARCUSSI, Alexandre A. Implicações atuais do debate entre Herskovits e Frazier sobre os africanismos. XXVI Simpósio Nacional de História, 2011.

MARCUSSI, Alexandre Almeida. Cativeiro e Cura: experiências religiosas da escravidão atlântica nos calundus de Luzia Pinta, séculos XVII-XVIII. 2015. Tese de Doutorado. Universidade de São Paulo.

MORAES, Irislane Pereira et al. Arqueologia ‘na flor da terra’quilombola: ancestralidade e movimentos Sankofa no território dos povos do Aproaga-Amazônia Paraense. 2021.

MOURA, Clóvis. Rebeliões da senzala. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1988.

MILLER, Joseph C. The Imbangala and the chronology of early central African history. In: The Journal of African History, v. 13, n. 4, p. 549-574, 1972.

MILLER, Joseph. C. A. Poder político e parentesco: os antigos estados Mbundu em Angola. Trad. Maria da Conceição Neto. Luanda: Arquivo Histórico Nacional, 1995

NASCIMENTO, Beatriz. Kilombo e memória comunitária: um estudo de caso. In: RATTS, Alex. Eu sou Atlântica: sobre a trajetória de Beatriz Nascimento. São Paulo: Imprensa Oficial do Estado/Instituto Kuanza, pp. 109-115, 2006.

NASCIMENTO, Beatriz. O conceito de quilombo e a resistência cultural negra. RATTS, Alex. Eu sou Atlântica: sobre a trajetória de Beatriz Nascimento. São Paulo: Imprensa Oficial do Estado/Instituto Kuanza, pp. 117-125 2006.

NASCIMENTO, Beatriz. Por uma história do homem negro. RATTS, Alex. Eu sou atlântica: sobre a trajetória de vida de Beatriz Nascimento. São Paulo: Instituto Kuanza, pp. 93-97, 2006

RODRIGUES, Nina. Raimundo. Os africanos no Brasil. Bibliotheca pedagogica brasileira. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1932.

RIBEIRO, Djamila. Lugar de fala. Pólen Produção Editorial LTDA, 2019.

NOVAES, Luciana de Castro Nunes. A tecnologia do ebó: arqueologia de materiais orgânicos em contextos afro-religiosos. Revista de Arqueologia, v. 34, n. 3, p. 283-306, 2021.

NOVAES, Luciana de Castro Nunes. Arqueologia do Axé: o Exu submerso e a paisagem sagrada. Vestígios-Revista Latino-Americana de Arqueologia Histórica, v. 16, n. 1, p. 74-94, 2022.

LESSA, Andrea; TAVARES, Reinaldo Bernardes; CARVALHO, Claudia Rodrigues. Paisagem, morte e controle social: o Valongo e o cemitério dos pretos novos no contexto escravocrata do Rio de Janeiro nos séculos XVIII e XIX. Paisagens Híbridas, v. 1, n. 1, p. 132-161, 2018.

LOPES, Nei. Novo dicionário banto do Brasil: contendo mais de 250 propostas etimológicas acolhidas pelo Dicionário Houaiss. Pallas Editora, 2003.

PASSOS, Lara de Paula. Arqueopoesia: uma proposta feminista afrocentrada para o universo arqueológico. 2019. Tese de Doutorado. Dissertação de mestrado. Programa de Pós Graduação em Antropologia- Área de concentração: Arqueologia. Faculdade de Ciências Humanas e Filosofia da Universidade Federal de Minas Gerais. Belo Horizonte.

PROUS, André. Arqueologia brasileira. Brasília: Editora Universidade de Brasília, 1991.

SANTANA, Regina Norma de Azevedo. Mussuca: por uma arqueologia de um território negro em Sergipe D’El Rey. Rio de Janeiro: UFRJ, 2008.

SCHMITT, Alessandra; TURATTI, Maria Cecília Manzoli; CARVALHO, Maria Celina Pereira de. A atualização do conceito de quilombo: identidade e território nas definições teóricas. Ambiente & sociedade, p. 129-136, 2002.

SILVA, Juliana Ribeiro da. Homens de ferro. Os ferreiros na África central no século XIX. 2011. Tese de Doutorado. Universidade de São Paulo.

SLENES, Robert W. " Malungu, ngoma vem!": África coberta e descoberta do Brasil. Revista Usp, n. 12, p. 48-67, 1992.

SYMANSKI, Luís Cláudio P. O domínio da tática: práticas religiosas de origem africana nos engenhos de Chapada dos Guimarães (MT). Vestígios-Revista Latino-Americana de Arqueologia Histórica, v. 1, n. 2, p. 09-36, 2007.

SYMANSKI, Luís Cláudio P. Cerâmicas, identidades escravas e crioulização nos engenhos de Chapada dos Guimarães (MT). História Unisinos, v. 14, n. 3, p. 294-310, 2010.

THORNTON, John Kelly. A África e os africanos na formação do mundo atlântico 1400-1800. Elsevier, 2004.

Downloads

Publicado

2024-01-31

Como Citar

MENEZES, Pedro Augusto Soares de. Caracterizar o quilombo como instituição africana: princípios para arqueologia brasileira a partir de Beatriz Nascimento. Revista de Arqueologia, [S. l.], v. 37, n. 1, p. 30–48, 2024. DOI: 10.24885/sab.v37i1.1157. Disponível em: https://revista.sabnet.org/ojs/index.php/sab/article/view/1157. Acesso em: 21 fev. 2024.