A gestão do patrimônio arqueológico em territórios indígenas

A resistência Munduruku e a preservação do patrimônio cultural frente ao licenciamento ambiental de empreendimentos em territórios tradicionalmente ocupados

Autores

  • Francisco Antonio Pugliese Junior
  • Raoni Bernardo Maranhão Valle

Palavras-chave:

Arqueologia da Bacia do Rio Tapajós, Gestão do Patrimônio Arqueológico, Etnoarqueologia Colaborativa

Resumo

Este artigo apresenta a análise da dispensa dos estudos etnoarqueológicos colaborativos no âmbito do licenciamento ambiental da Usina Hidrelétrica Teles Pires e quais as implicações dessa decisão para a proteção do patrimônio arqueológico. Considerando que, na arqueologia, o caráter patrimonial dos conjuntos materiais está intrinsecamente ligado à sua apropriação e fruição pelas comunidades locais – e disso depende a proteção aos contextos arqueológicos –, a decisão expôs os sítios da região aos impactos decorrentes da implantação do empreendimento e abriu um precedente que pode ser desastroso para os povos – e para a conservação do patrimônio cultural – afetados por grandes obras de infraestrutura em territórios tradicionalmente ocupados.

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Publicado

2015-06-30

Como Citar

PUGLIESE JUNIOR, F. A. .; MARANHÃO VALLE, R. B. . A gestão do patrimônio arqueológico em territórios indígenas: A resistência Munduruku e a preservação do patrimônio cultural frente ao licenciamento ambiental de empreendimentos em territórios tradicionalmente ocupados. Revista de Arqueologia, [S. l.], v. 28, n. 1, p. 30–51, 2015. Disponível em: https://revista.sabnet.org/ojs/index.php/sab/article/view/414. Acesso em: 19 ago. 2022.

Edição

Seção

Artigo