Arqueologia de Contrato e Povos Indígenas

Reflexões sobre o contexto brasileiro

Autores

  • Fabíola Andréa Silva

Palavras-chave:

Arqueologia de contrato, povos indigenas, pesquisa colaborativa, conflitos sociais

Resumo

O projeto governamental brasileiro de desenvolvimento econômico tem gerado o recrudescimento do desrespeito pelos povos indígenas no Brasil. Em reação, eles se mobilizam para garantir a sua autodeterminação na gestão de suas terras e bens culturais. Nesta conjuntura, aumentaram as pesquisas colaborativas com estes povos no âmbito da arqueologia de contrato. A partir de casos específicos analisarei o modo como algumas destas pesquisas vêm sendo conduzidas e as conjunturas nas quais elas estão inseridas. Refletirei sobre tais práticas, especialmente, em relação à noção de colaboração, em um contexto onde os conflitos de interesses são a razão da presença do arqueólogo.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Referências

ALLEN, H., 2010. The crisis in 21st century archaeological heritage management. In: Bridging the divide: Indigenous communities and archaeology into the 21st century, editado por Caroline Phillips e Harry Allen, pp 157-180. Left Coast Press, Walnut Creek.

ANDRADE, L. M.; SANTOS, L., 1989. As hidrelétricas do Xingu e os povos indígenas. Comissão Pró-Índio, São Paulo.

BANIWA, G., 2012. A conquista da cidadania indígena e o fantasma da tutela no Brasil contemporâneo. In: Constituições nacionais e povos indígenas, editado por Alcida Rita, pp 206-227. UFMG, Belo Horizonte.

BARAÚNA, G. M.; MARIN, R., 2011. O "fator participativo" nas audiências públicas das hidrelétricas de Jirau, Santo Antônio e Belo Monte. In: As tensões do lugar: hidrelétricas, sujeitos e licenciamento ambiental, editado por Andréa Zhouri, pp 93-125. UFMG, Belo Horizonte.

BARRETO, C. 2000. A construção de um passado pré-colonial: uma breve história da arqueologia no Brasil. Revista USP 44(1):32-51.

BAPTISTA DA SILVA, S., 2001. Etnoarqueologia dos grafismos Kaingang: um modelo para a compreensão das sociedades Proto-Jê meridionais. Tese de doutorado, Universidade de São Paulo, São Paulo.

EREMITES DE OLIVEIRA, J. 2002. Da pré-história à história indígena: (re)pensando a arqueologia e os povos canoeiros do Pantanal. Tese de doutorado, PUCRS, Porto Alegre.

FAUSTO, C. 2006. Da responsabilidade social de antropólogos e arqueólogos: sobre contratos, barragens e outras coisas mais. Programa de Pós-Graduação em Antropologia, Universidade Federal do Rio de Janeiro. Manuscrito. 18p.

FERREIRA, L. M. 2010. Arqueología Comunitaria, Arqueología de Contrato y Educación Patrimonial en Brasil. Jangwa Pana: Revista del Programa de Antropología de la Universidad del Magdalena (Colombia), 9: 95-102.

FERREIRA, L. M. 2013. Essas Coisas não lhes Pertencem: Relações entre Legislação Arqueológica, Cultura Material e Comunidades. Revista de Arqueologia Pública, 7: 87-106.

GNECCO, C.; AYALA, P. 2010 ¿Qué hacer? Elementos para una discusión. In: Pueblos indígenas y arqueología en América Latina, editado por Cristóbal Gnecco e Patricia Ayala, pp 23-47. FIAN-Universidad de los Andes, Bogotá.

GONZALEZ-RUIBAL, A. 2009. De la etnoarqueología a la arqueología del presente. In: Mundos tribales. Una visión etnoarqueológica, editado por Salazar, J., Domingo, I., Azkárraga, J.M. e Bonet, H. Museu de Prehistoria de Valencia, pp. 16-27.

GUILFOYLE, D.; WEBB, W.; WEBB, T; MITCHELL. M. 2011. A structure and process for “working beyond the site” in a commercial context. Australian Archaeology 73:25-32.

HABER, A. 2010. Arqueología indígena y poder campesino. In: Pueblos indígenas y arqueología en América Latina, editado por Cristóbal Gnecco e Patricia Ayala, pp 51-61. FIAN-Universidad de los Andes, Bogotá.

HAMILAKIS, Y.; ANAGNOSTOPOULOS, A. (orgs.)., 2009. Archaeological ethnographies: a special issue of Public Archaeology. Public Archaeology 8(2-3).

HECKENBERGER, M. 1996. War and peace in the shadow of empire: sociopolitical change in the Upper Xingu of South-Eastern Amazonia, A.D. 1400-2000. Tese de Doutorado, University of Pittsburgh, Pittsburgh.

HERNANDEZ, F. D. M.; MAGALHÃES, S. B., 2011. Ciência, cientistas, democracia desfigurada e licenciamento ambiental. In: As tensões do lugar: hidrelétricas, sujeitos e licenciamento ambiental, editado por Andréa Zhouri, pp 295-324. UFMH, Belo Horizonte.

LA SALLE, M. 2010. Community collaboration and other good intentions. Archaeologies 6(3):410-422.

LA SALLE, M.; HUTCHINGS, R., 2012. Commercial archaeology in British Columbia. The Midden 44(2):8-16.

LANE, P., 2008. Present to past. In: DAVID, B., THOMAS, J. Handbook of landscape archaeology. Left Coast Press Inc, Walnut Creek, pp. 402-424.

NEVES, E. G., 1998. Paths in dark waters: archaeology as Indigenous history in the Upper Rio Negro Basin, Northwest Amazon. Tese de doutorado, Indiana University, Bloomington.

NOELLI, F. 1999. Repensando os rótulos e a história dos Jê no sul do Brasil a partir de uma interpretação interdisciplinar. Revista do Museu de Arqueologia e Etnologia 3:285-302.

OLIVEIRA, J. P., 2006a. Una etnografía de las tierras indígenas: procedimientos administrativos y procesos políticos. In: Hacia una antropología del indigenismo: estudios críticos sobre los procesos de dominación y las perspectivas políticas actuales de los indígenas en Brasil, editado por João Pacheco Oliveira, pp 15-50. Contra Capa/Centro Amazónico de Antropología y Aplicación Práctica, Río de Janeiro/Lima.

OLIVEIRA, J. P., 2006b. Políticas indígenas contemporáneas: régimen tutelar, juegos políticos y estrategias indígenas. In: Hacia una antropología del indigenismo: estudios críticos sobre los procesos de dominación y las perspectivas políticas actuales de los indígenas en Brasil, editado por João Pacheco, pp 127-150. Contra Capa/Centro Amazónico de Antropología y Aplicación Práctica, Río de Janeiro/Lima.

OLIVEIRA, J. P., 2006c. Entre la ética del diálogo intercultural y una nueva modalidad de colonialismo. Los pueblos indígenas en las directrices del Banco Mundial. In: Hacia una antropología del indigenismo: estudios críticos sobre los procesos de dominación y las perspectivas políticas actuales de los indígenas en Brasil, editado por João Pacheco Oliveira, pp 181-200. Contra Capa/Centro Amazónico de Antropología y Aplicación Práctica, Río de Janeiro/Lima.

OLIVEIRA, J. P.; ALMEIDA, A. W. de., 2006. Demarcación y reafirmación étnica: una etnografía de la agencia indigenista. In: Hacia una antropología del indigenismo: estudios críticos sobre los procesos de dominación y las perspectivas políticas actuales de los indígenas en Brasil, editado por João Pacheco Oliveira, pp 51-96. Contra Capa/Centro Amazónico de Antropología y Aplicación Práctica, Río de Janeiro/Lima.

OLIVEIRA, J. P.; IGLESIAS, M. 2002. As demarcações participativas e o fortalecimento das organizações indígenas. In: Estado e povos indígenas. Bases para uma nova política indigenista II, editado por Antonio Carlos de Souza Lima & Maria Barroso-Hoffmann, pp 41-68. Contra Capa, Río de Janeiro.

PHILLIPS, C. 2010. Working together? Maori and archaeologists in Aotearoa/New Zealand today. In: Bridging the divide: Indigenous communities and archaeology into the 21st century, editado por Caroline Phillips & Harry Allen, pp 129-156. Left Coast Press, Walnut Creek.

RIKA-HEKE, M. 2010. Archaeology and indigeneity in Aotearoa/New Zealand: Why do Maori not engaging with Archaeology. In. Bridging the divide: Indigenous communities and archaeology into the 21st century, editado por Caroline Phillips y Harry Allen, pp 197-212. Left Coast Press, Walnut Creek.

ROBRAHN-GONZÁLEZ, E. 2006. Nota de esclarecimento. Programa de diagnóstico antropológico e de patrimônio cultural da PCH Paranatinga II. Manuscrito nao publicado.

ROBRAHN-GONZÁLEZ, E.; MIGLIACIO, M. C. 2008. Preservação do patrimônio arqueológico em terras indígenas. Arqueologia Pública 3:15-18.

ROCHA, B. C. da; JÁCOME, C.; MONGELÓ, G.; STUCHI, F. F.. VALLE, R.. 2013. Arqueologia pelas gentes: um manifesto. Constatações e posicionamentos críticos cobre a arqueologia brasileira em tempos de PAC. Revista de Arqueologia 26(1):130-140.

SALAZAR, D., 2010. Comunidades indígenas, arqueología y compañías mineras en el norte de Chile: ¿hacia un diálogo posible? In: Pueblos indígenas y arqueología en América Latina, editado por Cristóbal Gnecco & Patricia Ayala, pp 221-258. FIAN-Universidad de los Andes, Bogotá.

SILVA, F. A., 2000. As tecnologias e seus significados: um estudo da cerâmica dos Assurini do Xingu e da cestaria dos Kaiapó-Xikrin sob uma perspectiva etnoarqueológica. Tese de doutorado, Universidad de São Paulo, São Paulo.

SILVA, F. A., 2013. Território, lugares e memória dos Asurini do Xingu. Revista de Arqueologia 26(1):28-41.

SILVA, F. A.; BESPALEZ, E.; STUCHI, F. F., 2011. Arqueologia colaborativa na Amazônia: Terra Indígena Koatinemu, Rio Xingu, Pará. Amazônica 3(1):32-59.

SILVA, F. A.; STUCHI, F. F.; BESPALEZ, E.; POUGET, F. 2010. Arqueologia em terra indígena. Uma reflexão teórico-metodológica sobre as experiências de pesquisa na aldeia Lalima (MS) e na terra indígena Kaiabi (MTPA). In: Arqueologia amazônica, editado por Edithe Pereira & Vera Guapindaia, pp 265-283. Museu Paraense Emílio Goeldi, Belém.

SMITH, L. ,2010. Towards a theoretical framework for archaeological heritage management. In: The heritage reader, editado por Graham Fairclough, Rodney Harrison, John Schofield & John Jameson, pp 62-74. Routledge, Londres.

SMITH, L.; WATERTON, E., 2009. Heritage, communities and archaeology. Duckworth, Londres.

SOUZA LIMA, A. C, 2005. A identificação como categoria histórica. In: Antropologia e identificação: os antropólogos e a definição de terras indígenas no Brasil, 1977-2002, editado por Antonio Carlos de Souza Lima & Henyo Trindade Barretto Filho, pp 24-74. Contra Capa, Río de Janeiro.

SOUZA LIMA, A. C, 2006. El indigenismo en Brasil: migración y reapropiaciones de un saber administrativo. In: Hacia una antropología del indigenismo: estudios críticos sobre los procesos de dominación y las perspectivas políticas actuales de los indígenas en Brasil, editado por João Pacheco Oliveira, pp 97-125.Contra Capa/Centro Amazónico de Antropología y Aplicación Práctica, Río de Janeiro/Lima.

SOUZA LIMA, A. C.; HOFFMAM, M. B, 2002. Estado e povos indígenas no Brasil. In Estado e povos indígenas. Bases para uma nova política indigenista II, editado por Antonio Carlos de Souza Lima & Maria Barroso-Hoffmann, pp 7-24. Contra Capa, Río de Janeiro.

STOTTMAN, J., 2010. Introduction: archaeologists as activists. In: Archaeologists as activists. Can archaeologists change the world?, editado por Jay Stottman, pp 1-16. University of Alabama Press, Tuscaloosa.

STUCHI, F. F. 2012. Estudos etnohistóricos, arqueológicos e etnoarqueológicos das comunidades indígenas na região de Aripuanã, MT. Manuscrito não publicado, Scientia Consultoria, São Paulo.

WÜST, I.; 1991. Continuidade e mudança: Para uma Interpretação dos grupos pré-coloniais da Bacia do Rio Vermelho, Mato Grosso. Tese de doutorado, Universidade de São Paulo, São Paulo.

ZHOURI, A (org.), 2011. As tensões do lugar: hidrelétricas, sujeitos e licenciamento ambiental. UFMG, Belo Horizonte.

Downloads

Publicado

2015-12-30

Como Citar

SILVA, F. A. . Arqueologia de Contrato e Povos Indígenas: Reflexões sobre o contexto brasileiro. Revista de Arqueologia, [S. l.], v. 28, n. 2, p. 187–201, 2015. Disponível em: https://revista.sabnet.org/ojs/index.php/sab/article/view/435. Acesso em: 25 set. 2022.

Edição

Seção

Artigo