O Forte de Óbidos, uma unidade de defesa na conquista do norte do Brasil

Um projeto de pesquisa

Autores

  • Veleda Lucena Fundação Joaquim

DOI:

https://doi.org/10.24885/sab.v8i2.667

Resumo

O início da colonização do Norte do Brasil está relacionado à conquista e à exploração direta dos recursos naturais. A fixação portuguesa na região foi movida, em grande parte, pela necessidade de garantir a posse do território e evitar a evasão de bens. Muitos dos assentamentos coloniais originaram-se de postos avançados de conquista ou de defesa. O Forte dos Pauxis (século XVII) e o de Óbidos, que o sucedeu (século XIX), representam uma unidade funcional do subsistema de defesa do sistema colonial português no Brasil. Efetivamenle, a estrutura arquitetônica remanescente foi aquela construída no século XIX. O assentamento do forte no estreito de Óbidos, no século XIX, atendia ainda a condição estratégica da área, que fora observada o séc. XVII. Por seu traçado, o Forte revela profundas diferenças com a grande maioria das estruturas de defesa remanescentes no Nordeste do Brasil. Construído sob novas concepções de técnicas de defesa, e sob o impacto do desenvolvimento das armas raiadas, o Forte de Óbidos permite, através do estudo arqueológico, avaliar-se importantes aspectos, omissos na parca documentação textual até o momento conhecida. São aspectos quanto a adoção de técnicas da arquitetura militar, ao uso de armamentos, velocidade de difusão de artefatos importados, e sobretudo questões relacionadas à alterações de função, ao longo do tempo, e modificações na estrutura arquitetônica. A comunicação discute os principais tópicos que serão desenvolvidos neste projeto de pesquisa, e busca suscitar a troca de experiências desenvolvidas em outras áreas.

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Publicado

1994-12-30

Como Citar

LUCENA, V. O Forte de Óbidos, uma unidade de defesa na conquista do norte do Brasil : Um projeto de pesquisa. Revista de Arqueologia, [S. l.], v. 8, n. 2, p. 303–319, 1994. DOI: 10.24885/sab.v8i2.667. Disponível em: https://revista.sabnet.org/ojs/index.php/sab/article/view/667. Acesso em: 7 out. 2022.

Edição

Seção

Artigo