Materiais perecíveis, ideias duradouras

a cesta, o círculo concêntrico e os grafismos puros

Autores

DOI:

https://doi.org/10.24885/sab.v35i2.923

Palavras-chave:

arqueologia do presente, povo Kapinawá, memória, registros rupestres

Resumo

Esse trabalho é fruto de uma pesquisa desenvolvida em colaboração com pessoas da comunidade Kapinawá, tendo como preceito incluir vozes historicamente silenciadas em práticas arqueológicas não inclusivas e problematizar a validade dos múltiplos caminhos de entendimento dos contextos arqueológicos. A ideia inicial era mostrar que a realidade é entendida de múltiplas formas podendo existir caminhos e olhares distintos para interpretar um contexto arqueológico. Para a realização deste trabalho desenvolvemos a ideia de estratigrafia das vozes, abordamos os sítios arqueológicos com registros rupestres presentes na TI Kapinawá, discutindo não apenas como esses espaços se associam a história e identidade do grupo, mas também apontando como os grafismos rupestres e a cestaria se entrelaçam na perspectiva kapinawá.

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Publicado

2022-06-01

Como Citar

ZANCHETTA OTAVIANO, M.; KAPINAWÁ, J. R.; CAVALCANTI DE CASTRO, V. M. .; MIRANDA AMARAL, A. . Materiais perecíveis, ideias duradouras: a cesta, o círculo concêntrico e os grafismos puros. Revista de Arqueologia, [S. l.], v. 35, n. 2, p. 136–153, 2022. DOI: 10.24885/sab.v35i2.923. Disponível em: https://revista.sabnet.org/ojs/index.php/sab/article/view/923. Acesso em: 2 jul. 2022.

Edição

Seção

Artigo