Um estudo experimental acerca da preservação in situ de artefatos trançados de fibras vegetais

Autores

DOI:

https://doi.org/10.24885/sab.v34i3.930

Palavras-chave:

cestaria, arqueologia experimental, fluorescência de raios-X

Resumo

A tecnologia de trançar fibras vegetais tem sido utilizada há milhares de anos na produção de objetos como cestos, cordas, sandálias, esteiras. Contudo, ela possui baixa visibilidade em contextos arqueológicos devido a sua natureza efêmera, e às precárias condições de conservação às quais os objetos têm sido expostos. Excepcionalmente, contudo, resquícios desta tecnologia se preservaram em certos contextos arqueológicos. O objetivo deste estudo a médio/longo prazo é investigar sob quais condições essa preservação foi possível. Para tanto, foram utilizados experimentos que simularam contextos arqueológicos em condições controladas. Os resultados apresentados, embora preliminares, apontam que ambientes a céu aberto são mais nocivos àquelas matérias, porém, dentre os cenários experimentalmente construídos, a areia com mica e sedimento argiloso vermelho com alto teor de fósforo, enxofre e zircônio promoveram uma degradação mais acelerada.

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Publicado

2021-09-30

Como Citar

LESSA COSTA, R.; SOARES MENESES LAGE, M. C. .; BATISTA FARIAS FILHO, B. .; SILVA NUVENS, L. da; SANTOS LIMA, J. dos . Um estudo experimental acerca da preservação in situ de artefatos trançados de fibras vegetais. Revista de Arqueologia, [S. l.], v. 34, n. 3, p. 196–210, 2021. DOI: 10.24885/sab.v34i3.930. Disponível em: https://revista.sabnet.org/ojs/index.php/sab/article/view/930. Acesso em: 7 ago. 2022.