De estruturas a corpos e seres

os vestígios perecíveis da Lapa do Caboclo em Diamantina, Minas Gerais

Autores

DOI:

https://doi.org/10.24885/sab.v34i3.938

Palavras-chave:

estruturas vegetais, sepultamentos secundários, tecnologia

Resumo

Parte dos vestígios botânicos e a totalidade de humanos da Lapa do Caboclo de Diamantina são representados pelo o que vimos chamando de depósitos vegetais estruturados e por sepultamentos secundários, que compõem juntos o contexto do Holoceno superior na lapa. Em junho de 2020, parte significativa deste material foi atingido e seriamente impactado pelo incêndio no Museu de História Natural e Jardim Botânico da Universidade Federal de Minas Gerais. Diante da perda, intentamos com este trabalho disponibilizar aquilo que não se perdeu no incêndio: dados das análises, das escavações, nossas memórias e interpretações serão sistematizadas e apresentadas, buscando refletir sobre as estruturas vegetais e sepultamentos a partir dos processos de construção das coisas - técnica e tecnologia - que as coloca em relação.

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Biografia do Autor

Vanessa Linke, Universidade Federal do Vale do São Francisco

Vanessa Linke é docente do Colegiado de Arqueologia e Preservação Patrimonial da Universidade Federal do Vale do São Francisco e do Colegiado de Pós-Graduação em Arqueologia da UNIVASF. Possui doutorado em Arqueologia pelo Museu de Arqueologia e Etnologia da USP, mestrado em Geografia pelo Instituto de Geociências da UFMG e graduação em Geografia e Meio Ambiente pelo Centro Universítário Newton Paiva.

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Publicado

2021-09-30

Como Citar

ISNARDIS, A.; LINKE, V. De estruturas a corpos e seres: os vestígios perecíveis da Lapa do Caboclo em Diamantina, Minas Gerais. Revista de Arqueologia, [S. l.], v. 34, n. 3, p. 122–145, 2021. DOI: 10.24885/sab.v34i3.938. Disponível em: https://revista.sabnet.org/ojs/index.php/sab/article/view/938. Acesso em: 25 set. 2022.