Eu tinha um nome, um sorriso, uma ancestralidade e uma voz

Autores

DOI:

https://doi.org/10.24885/sab.v37i1.1127

Palavras-chave:

Arqueologia, Bioarqueologia, Arqueologia Descolonial, Arqueologia Indígena

Resumo

Este artigo foi produzido com o intuito de trazer críticas e falar sobre o processo da bioarqueologia e das análises dos ossos humanos. Uma ideia inicial em busca de uma pesquisa osteológica descolonial, entendendo que a morte possui afeto e que os corpos esqueléticos desenterrados nas escavações são pessoas-ossos. O artigo vai constar com a descrição metodológica usada pela bioarqueologia nas análises osteológicas e a retomada para não esquecer e não permitir que a arqueologia transforme pessoas em materiais sem vida.

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Biografia do Autor

Gabrielle Reis Ferreira, Universidade Federal de Pelotas

Mulher indígena do povo Borum-kren. Mestranda em Antropologia com área de concentração em Arqueologia pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), bolsista CAPES.

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Publicado

2024-01-31

Como Citar

FERREIRA, Gabrielle Reis. Eu tinha um nome, um sorriso, uma ancestralidade e uma voz. Revista de Arqueologia, [S. l.], v. 37, n. 1, p. 137–146, 2024. DOI: 10.24885/sab.v37i1.1127. Disponível em: https://revista.sabnet.org/ojs/index.php/sab/article/view/1127. Acesso em: 21 fev. 2024.