Terreiro do Bogum: arqueologia da repressão e da resistência em diálogo com o legado religioso das Guerreiras Mino

Autores

DOI:

https://doi.org/10.24885/sab.v39i1.1280

Palavras-chave:

Arqueologia da repressão e da resistência, Arqueologia da Diáspora Africana, Arqueologia do feminino, Guerreiras Mino, Terreiro do Bogum

Resumo

Este artigo investiga como os artefatos e os rituais do Terreiro do Bogum, em Salvador, Bahia, preservam a memória do antigo Reino do Dahomé por meio das Guerreiras Mino, refletindo os processos de resistência da tradição Jeje na diáspora africana. Com base nos aportes da Arqueologia da Repressão e da Resistência e da Arqueologia da Diáspora Africana, analisa-se a transformação simbólica de artefatos em objetos sagrados. A metodologia articula observação participante, entrevistas semiestruturadas e análise descritiva das materialidades sagradas. Os resultados indicam que a ressignificação dessas materialidades transcende o campo litúrgico, atuando como um mecanismo ativo de resistência cultural e afirmação identitária afrodescendente, além de contribuir para os debates sobre memória, espiritualidade e agência material nos estudos da diáspora africana.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Rodrigo Nogueira Martins, Universidade Federal do Rio de Janeiro

Doutorando em Ciência da Religião PPCIR/UFJF, Mestre em Arqueologia Museu Nacional PPGArq/UFRJ, Mestre em Ciência da Religião PPGCR/PUC-Minas.

Referências

ALEXANDRE, Paulo. As guerreiras Ahosi do Reino de Daomé. HistóriaBlog, 7 set. 2023. Disponível em: https://historiablog.org/2023/09/07/as-guerreiras-ahosi-do-reino-de-daome/. Acesso em: 7 mar. 2025.

ALMEIDA, Fábio Guaraldo. Etnoarqueologia no Quilombo Mandira. Revista do Museu de Arqueologia e Etnologia, Suplemento 11, p. 171-176, 2011

ALPERN, Stanley B. Amazons of Black Sparta: the women warriors of Dahomey. New York: New York University Press, 1998.

ARAÚJO, Ana Lúcia. Arqueologia da repressão e resistência: escravos e quilombolas nas Américas. Rio de Janeiro: Zahar, 2005.

BARROS, José Flávio Pessoa de. O segredo das folhas: sistema de classificação de vegetais no Candomblé Jêje-Nagô do Brasil. Rio de Janeiro: Palas, 1993.

BASTOS, Rossano Lopes; GUIMARÃES, Carlos Magno (orgs.). Arqueologia da Diáspora Africana: perspectivas comparadas. Belo Horizonte: Editora C/Arte, 2018.

CARNEIRO, Sueli. A construção do outro como não-ser como fundamento do ser. São Paulo: EdUSP, 2005.

CARVALHO, Patrícia. Terreiro como lugar de memória: arqueologia e religiosidade afro-brasileira em Alagoas. Revista de Arqueologia Pública, v. 15, n. 1, p. 89-108, 2021.

CARVALHO, Patrícia; BASTOS, Rossano Lopes. Arqueologia do apagamento e territórios negros: o caso do Quilombo Saracura/SP. Revista de Arqueologia Pública, v. 17, n. 2, p. 1-23, 2023.

DUARTE, Everaldo Conceição. Terreiro do Bogum: memórias de uma comunidade Jeje-Mahi na Bahia. Bahia: Solisluna, 2018.

ELIADE, Mircea. O sagrado e o profano: a essência das religiões. Tradução de Rogério Fernandes. Edição revista. São Paulo: Martins Fontes, 2010.

ENCICLOPÉDIA BRASILEIRA MÉRITO. São Paulo: Mérito, 1970.

FERREIRA, Lúcio Menezes. Repressão e resistência: arqueologia das populações afrodescendentes. São Paulo: Contexto, 2014.

FERREIRA, Lucio Menezes; SYMANSKI, Luis. Transformation and Resistance: African Diaspora Archaeology in Brazil. Journal of African Diaspora Archaeology and Heritage, v. 12, n. 2-3, 2023.

FERRETTI, Sergio Figueiredo. Querebentã de Zomadonu: etnografia da Casa das Minas do Maranhão. São Luís: EDUFMA, 1996.

FUNARI, Pedro Paulo Abreu; ZARANKIN, Andrés; REIS, José Alberión dos (org.). Arqueologia da repressão e da resistência: América Latina na era das ditaduras (décadas de 1960-1980). São Paulo: Fapesp: Annablume, 2008.

BARRETO, Raquel. Introdução: Lélia Gonzalez, uma intérprete do Brasil. In: GONZALEZ, Lélia. Primavera para as rosas negras: Lélia Gonzalez em primeira pessoa. São Paulo: Diáspora Africana, 2018.

HARTEMANN, Gabby Omoni; MORAES, Irislane Pereira de. Contar histórias e caminhar com ancestrais: por perspectivas afrocentradas e decoloniais na arqueologia. Vestígios – Revista Latino-Americana de Arqueologia Histórica, v. 12, n. 2, p. 9-34, 2018.

MARTINS, Rodrigo Nogueira. Islã e Candomblé: a religião material como legado malê no Terreiro do Bogum, Salvador, Bahia. 2023. Dissertação (Mestrado em Ciência da Religião Aplicada à Cultura Material) – Pontifícia Universidade católica de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2023.

MARTINS, Rodrigo Nogueira. Religião material e morte: A fotografia como materialidade do culto à ancestralidade no Terreiro do Bogum, Salvador, Bahia. ABHR – Associação Brasileira de História das Religiões, v. 18, 2022.

MEYER, Birgit. Mediation and the Genesis of Presence: Toward a Material Approach to Religion. Texto da aula inaugural (inaugural lecture), 2012.

MBITI, John S. African religions and philosophy. 2. ed. Johannesburg (África do Sul): Heinemann, 1990.

MOORE, Carlos. A África que incomoda. Salvador: EDUFBA, 2010.

MORAES, Irislane Pereira. Arqueologia “na flor da terra” quilombola: Ancestralidade e movimentos Sankofa no território dos povos do Aproaga – Amazônia Paraense. 2021. Tese (Doutorado em Arqueologia) – Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2021.

MORAES, Irislane Pereira de; COSTA, Luciana Alves; JESUS, Luciana Lopes de. Arqueologia, lugar de fala e conexões afrodiaspóricas: experiências no território quilombola dos Povos do Aproaga – Amazônia Paraense. Cadernos do LEPAARQ, Pelotas, v. XIX, n. 37, p. 55-74, jan./jun. 2022.

MORGAN, David. The sacred gaze: religious visual culture in theory and practice. Berkeley: University of California Press, 2005.

MORGAN, David. The embodied eye: religious visual culture and the social life of feeling. Berkeley: University of California Press, 2012.

MOURA, Clóvis. Rebeliões da senzala: quilombos, insurreições, guerrilhas. São Paulo: Anita Garibaldi, 1993.

OGUNDIRAN, Akinwumi; SAUNDERS, Paula (ed.). Materialities of ritual in the Black Atlantic. Bloomington: Indiana University Press, 2014.

PARÉS, Luís Nicolau. A formação do Candomblé: história e ritual da Nação Jeje na Bahia. Campinas: Editora Unicamp, 2018.

PRANDI, Reginaldo. O Candomblé é o tempo: concepções de tempo, saber e autoridade da África para as religiões afro-brasileiras.RBCS, v. 16, n. 47, 2001.

RODRIGUES, Aldair; MAIA, Moacir (org.). Sacerdotisas Voduns e Rainhas do Rosário: mulheres africanas e Inquisição em Minas Gerais (século XVIII). São Paulo: Chão Editora, 2023.

RUFINO, Luiz. Pedagogia das encruzilhadas. Rio de Janeiro: Mórula, 2019.

SANTOS, Rosinalda Aparecida dos. Mulheres negras e saberes afro-brasileiros: religiosidade, tradição e resistência. Cadernos Pagu, n. 53, 2019.

SOUZA, Marcos André Torres. Uma outra escravidão: a paisagem social no engenho de São Joaquim, Goiás. Vestígios – Revista Latino-Americana de Arqueologia Histórica, Belo Horizonte, v. 1, n. 1, p. 59-92, jul./dez. 2007.

SOUSA, Maria Sueli Rodrigues de; SANTOS, Joaquim José Ferreira dos. Territorialidade quilombola e trabalho: relação não dicotômica cultura e natureza. Revista Katálysis, v. 22, n. 1, p. 201-209, 2019.

SCHÜTZ, Alfred. The Phenomenology of the Social World. Evanston: Northwestern University Press, 1967.

VERGER, Pierre Fatumbi. Orixás: Deuses Iorubás na África e no Novo Mundo. São Paulo: Corrupio, 1997.

ZOOGODÔ Bogum Malê Rundó em imagens. Blog Terreiro do Bogum ou Zoogodô Bogum Malê Rundó, [s. l.], 9 out. 2014. Disponível em: https://terreirodobogum.blogspot.com/2014/10/zoogodo-bogum-male-rundo-em-imagens.html. Acesso em: 7 mar. 2025.

Downloads

Publicado

2026-01-15

Como Citar

MARTINS, Rodrigo Nogueira. Terreiro do Bogum: arqueologia da repressão e da resistência em diálogo com o legado religioso das Guerreiras Mino. Revista de Arqueologia, [S. l.], v. 39, n. 1, p. 69–92, 2026. DOI: 10.24885/sab.v39i1.1280. Disponível em: https://revista.sabnet.org/ojs/index.php/sab/article/view/1280. Acesso em: 5 fev. 2026.

Edição

Seção

Artigo