Engenhos e escravidão em Mato Grosso: uma arqueologia das identidades
DOI:
https://doi.org/10.24885/sab.v39i3.1425Palavras-chave:
Arqueologia do colonialismo, Arqueologia da Diáspora Africana, Cultura materialResumo
Esta é uma resenha sobre o livro Engenhos e escravidão em Mato Grosso: uma arqueologia das identidades, uma versão revisada da tese de doutorado defendida em 2006 por Luís Cláudio Symanski. Trata-se de uma década de pesquisas arqueológicas e documentais sobre a dinâmica escravista e a vida das pessoas em situação de escravidão na Chapada dos Guimarães, no Brasil Central dos séculos XVIII e XIX. Tendo como principais contextos engenhos de cana-de-açúcar, foram investigados espaços nos quais vidas cotidianas se constituíram e estratégias de produção social e cultural se desenvolveram. Um dos aspectos mais importantes do estudo é revelar a heterogeneidade das senzalas e das relações que atravessavam esses espaços, reunindo pessoas de diferentes regiões, línguas e identidades. Ao articular materialidades e fontes escritas, Symanski acompanha relações entre proprietários rurais, trabalhadores livres e pessoas escravizadas, marcadas por conflitos, negociações e diferenciações sociais que tornam obsoletas as interpretações baseadas apenas na dicotomia colonizador/colonizado. Documentos que registram identidades de pessoas provenientes de Benguela, Congo, Mina e Angola foram utilizados na análise de uma das maiores coleções arqueológicas de cerâmicas com diferentes padrões decorativos, produzidas entre o século XVIII e a primeira metade do XIX, com o objetivo de identificar elementos marcadores associados àquelas regiões. A pesquisa evidencia, assim, diferentes identidades transatlânticas e experiências diaspóricas, questionando a imagem da senzala como espaço social e culturalmente homogêneo.
Downloads
Referências
DECERTEAU, Michel. The practice of everyday life. Berkeley: University of California Press, 1984.
LEFEBVRE, Henri. The production of space. Oxford: Blackwell, 1991.
LIMA, Helena Pinto. Patrimônio para quem? Por uma arqueologia sensível. Habitus: Revista do Instituto Goiano de Pré-História e Antropologia, v. 17, n. 1, p. 25-38, 2019.
SIMONI, Rosinalda Corrêa da Silva. Os quilombos na diáspora e o papel da Arqueologia: lutas históricas e desafios, uma escrita na primeira pessoa. Revista de Arqueologia, v. 37, n. 2, p. 30-43, 2024.
SYMANSKI, Luís. Engenhos e escravidão em Mato Grosso: uma arqueologia das identidades. Belo Horizonte: Caravana, 2024. (Coleção Pensar História).
SUPERNANT, Kisha et al. (orgs.). Archaeologies of the heart. Cham: Springer International, 2020.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2026 Marinne Sallum, Rosinalda Olaséni Corrêa da Silva Simoni

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-NonCommercial-ShareAlike 4.0 International License.