Cestos enterrados no Vale do Peruaçu

classificação e utilização dos artefatos têxteis e trançados dos sítios sob abrigo do norte de Minas Gerais

Autores

  • Letícia Dutra Romualdo da Silva Universidade Federal do Rio de Janeiro
  • Mercedes Okumura Universidade de São Paulo

DOI:

https://doi.org/10.24885/sab.v31i1.538

Palavras-chave:

Artefatos vegetais, Classificação, Brasil Central

Resumo

A rara preservação de artefatos trançados de fibras vegetais em sítios arqueológicos brasileiros resulta em um conhecimento restrito acerca desses materiais na pré-história. No vale do Peruaçu, Minas Gerais, os sítios Lapa do Boquete, Abrigo do Malhador, Lapa da Hora e Lapa do Caboclo apresentaram tais materiais excepcionalmente preservados, geralmente associados a depósitos de vegetais ou sepultamentos do Holoceno tardio. Apresentamos neste trabalho a coleção de artefatos trançados e têxteis de fibras vegetais do vale do Peruaçu sob a ótica do sistema classificatório de Berta Ribeiro (RIBEIRO, 1980, 1985, 1986b), explorando a maneira como esses artefatos foram depositados em seus respectivos contextos e chamando atenção para a importância e diversidade de artefatos perecíveis utilizados pelos grupos horticultores que ocuparam essa região.

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Publicado

2018-06-30

Como Citar

SILVA, L. D. R. da; OKUMURA, M. Cestos enterrados no Vale do Peruaçu: classificação e utilização dos artefatos têxteis e trançados dos sítios sob abrigo do norte de Minas Gerais. Revista de Arqueologia, [S. l.], v. 31, n. 1, p. 131–150, 2018. DOI: 10.24885/sab.v31i1.538. Disponível em: https://revista.sabnet.org/ojs/index.php/sab/article/view/538. Acesso em: 15 ago. 2022.

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Artigo