Marieta e Josefa no prédio da loucura

uma arqueologia dos espaços manicomiais

Autores

  • Juliana Brandão Universidade Federal de Minas Gerais

DOI:

https://doi.org/10.24885/sab.v31i2.596

Palavras-chave:

Arqueologia da Arquitetura, Poder, Hospital de Neuro-Psiquiatria Infantil

Resumo

Marieta e Josefa tiveram suas vidas entrelaçadas e confinadas no Hospital de Neuro-psiquiatria Infantil (Belo Horizonte – MG), e é a partir de certos elementos que encontrei ao longo da pesquisa, que assumo elas terem sido pacientes de tal instituição. Suas histórias, aqui (re)construídas por mim de forma livre, tendo por base fontes documentais e materiais, nos guiarão pelo hospital criado em 1947, o qual recebeu desde crianças com sofrimento mental até órfãs ou portadoras das mais diversas doenças. Com discursos de poder e controle materializados na espacialidade do prédio, espero discutir, através da Arqueologia da Arquitetura, como essa instituição funcionou como um mantenedor da ordem urbana ao tirar de circulação uma gama de pequenos indesejáveis rechaçados pela sociedade.

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Publicado

2018-12-30

Como Citar

BRANDÃO, J. Marieta e Josefa no prédio da loucura: uma arqueologia dos espaços manicomiais. Revista de Arqueologia, [S. l.], v. 31, n. 2, p. 239–255, 2018. DOI: 10.24885/sab.v31i2.596. Disponível em: https://revista.sabnet.org/ojs/index.php/sab/article/view/596. Acesso em: 9 ago. 2022.