A gestão das coleções arqueológicas no Museu Nacional, UFRJ

sobre caminhos pisados, desvios e continuidades inesperadas

Autores

DOI:

https://doi.org/10.24885/sab.v33i3.857

Palavras-chave:

acervos arqueológicos, Museu Nacional, dependência da trajetória

Resumo

O artigo representa um esforço de investigação e debate sobre o lugar dado à gestão das coleções arqueológicas no interior do Museu Nacional/UFRJ, e sobre os princípios pelos quais tal gestão esteve orientada. Para isso, recorremos à noção de dependência da trajetória, e aliamos dados de diferentes ordens, coletados por meio da revisão bibliográfica e junto ao SEMEAR/MN/UFRJ e ao CNA/IPHAN. Concluímos que escolhas realizadas em momentos críticos da instituição reduziram o seu escopo de possibilidades, favorecendo a manutenção de práticas passadas, e privilegiando a pesquisa em detrimento da salvaguarda das coleções – mesmo frente a fatores externos de grande impacto, como o boom da Arqueologia de contrato nos anos 1990 e 2000.

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Publicado

2020-12-28

Como Citar

POLO, M. J. A.; ROMUALDO DA SILVA, L. D. A gestão das coleções arqueológicas no Museu Nacional, UFRJ: sobre caminhos pisados, desvios e continuidades inesperadas. Revista de Arqueologia, [S. l.], v. 33, n. 3, p. 63–86, 2020. DOI: 10.24885/sab.v33i3.857. Disponível em: https://revista.sabnet.org/ojs/index.php/sab/article/view/857. Acesso em: 7 ago. 2022.