Arqueologia e companhia

reflexões sobre a introdução de uma lógica de mercado na prática arqueológica brasileira

Autores

  • Andrés Zarankin FAFICH/UFMG
  • José Roberto Pellini NAR/UFS

DOI:

https://doi.org/10.24885/sab.v25i2.354

Palavras-chave:

Arqueologia de Contrato, teoria, método

Resumo

Nas últimas décadas a arqueologia brasileira tem experimentado uma mudança radical, produto de uma legislação inteiramente nova de proteção do patrimônio cultural. Assim, todo empreendimento, privado ou público, potencialmente modificador do meio, obrigatoriamente requer a realização de uma série de estudos de impacto ambiental, dentre os quais se encontram os arqueológicos. Como consequência dessas normas, surge um novo tipo de prática arqueológica - assim como um novo tipo de arqueólogo -, já não orientada pela academia, mas pelo mercado, a chamada Arqueologia de Contrato. Nossa reflexão será estruturada a partir de uma comparação entre as transformações produzidas pela arqueologia de contrato e um dos Comics de “Asterix o Galo”, chamado “Obelix e Cia”. Esperamos que este exercício, em parte reflexão acadêmica, mas ao mesmo tempo manifesto político, nos auxilie a meditar sobre o tipo de arqueologia que, como profissionais, gostaríamos que fosse produzida no país.

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Publicado

2012-12-30

Como Citar

ZARANKIN, A.; ROBERTO PELLINI, J. Arqueologia e companhia: reflexões sobre a introdução de uma lógica de mercado na prática arqueológica brasileira. Revista de Arqueologia, [S. l.], v. 25, n. 2, p. 44–60, 2012. DOI: 10.24885/sab.v25i2.354. Disponível em: https://revista.sabnet.org/ojs/index.php/sab/article/view/354. Acesso em: 15 ago. 2022.

Edição

Seção

Artigo